Entre janeiro de 2019 e fevereiro de 2026, o governo de Ratinho Júnior (PSD) promoveu um amplo programa de desestatização no Paraná, negociando ativos que vão desde empresas de tecnologia e telecomunicações até parques estaduais, portos e rodovias. O governador, que não esconde sua preferência por um estado enxuto, já declarou publicamente que o Paraná foi o estado que mais realizou privatizações, concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) no período. Em sete anos de mandato, ele participou de pelo menos 20 leilões na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), onde negociou ativos do povo paranaense.
No setor de telecomunicações, um dos marcos foi a privatização da Copel Telecom, a subsidiária de internet e fibra óptica da estatal Copel, vendida para a Bordeaux Fund. Na mesma linha, a Sercomtel, empresa de telefonia com sede em Londrina (PR), também foi privatizada. A Copel, por sua vez, passou por uma profunda reestruturação, com o governo estadual vendendo parte de suas ações e transformando a companhia em uma "corporation", o que na prática diluiu o controle estatal sobre a empresa de energia.
Outro negócio de peso foi a venda da Compagas, a companhia de gás do estado, para a Compass, empresa do grupo Cosan. A Celepar, a estatal de tecnologia da informação responsável por sistemas estratégicos do governo, como os do Detran, da Fazenda e da Segurança Pública, também entrou na lista. Seu processo de privatização foi autorizado por lei em novembro de 2024, mas acabou suspenso pelo ministro Flávio Dino, do STF, devido a preocupações com a proteção de dados sigilosos dos cidadãos.
No setor de infraestrutura, o destaque fica por conta do "maior pacote de concessões rodoviárias do Brasil", abrangendo 3,3 mil quilômetros de estradas divididas em seis lotes, que devem somar R$ 60 bilhões em investimentos. Desses, os lotes 1 e 2 já estão sob gestão privada. A Ferroeste, ferrovia que liga Guarapuava a Cascavel, também está na fila para ser concedida à iniciativa privada, com leilão previsto para ocorrer na Bolsa de Valores.
Na área portuária, o governo promoveu a concessão do Canal de Acesso ao Porto de Paranaguá em outubro de 2025, um leilão inédito no Brasil vencido pelo consórcio Canal Galheta Dragagem, que investirá R$ 1,23 bilhão para aprofundar o canal e permitir a atracação de navios de grande porte. A iniciativa, somada a nove leilões de áreas arrendadas que garantiram R$ 5,1 bilhões em investimentos privados, consolidou o complexo de Paranaguá como o primeiro do país com 100% dos contratos regularizados.
No setor de saneamento, o governo optou por um modelo de Parcerias Público-Privadas (PPPs) para a Sanepar, visando a universalização do serviço com investimentos bilionários. Já na área de educação, o programa "Parceiro na Escola" gerou polêmica ao transferir a administração de 200 escolas públicas para instituições privadas, que passam a gerir serviços como limpeza, merenda e contratação de professores temporários, embora os diretores e docentes concursados continuem sendo do estado. Até mesmo um parque estadual, o de Vila Velha, em Ponta Grossa, teve sua gestão concedida à iniciativa privada.