Um estudo recente conduzido pela Escola de Medicina de Stanford trouxe novos elementos para a discussão sobre sono e saúde mental. Ao avaliar dados de quase 74 mil adultos, os pesquisadores concluíram que não é apenas a duração do sono que importa, mas também o horário em que ele ocorre.
Publicado em 2024 na revista Psychiatry Research, o trabalho identificou que adormecer depois da 1 hora da manhã está associado a maior incidência de transtornos mentais, comportamentais e do neurodesenvolvimento. A descoberta desafia a noção de que pessoas com preferência biológica por atividades noturnas estariam protegidas desse impacto. Mesmo entre indivíduos naturalmente mais ativos à noite, permanecer acordado até tarde foi relacionado a maior dificuldade na regulação emocional e maior risco de adoecimento psíquico.
Do ponto de vista biológico, os autores destacam que o cérebro humano tende a funcionar de forma mais equilibrada quando alinhado ao ciclo natural de luz e escuridão. A exposição prolongada à luz artificial durante a madrugada e a inversão do ritmo circadiano podem interferir em processos neurológicos essenciais para restauração mental e estabilidade do humor.
Nesse contexto, dormir mais cedo deixa de ser apenas uma convenção social e passa a ser entendido como um fator relevante de proteção à saúde mental.
