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EXEMPLOS PARA REFLEXÃO: Quando candidatos não têm apoio em sua terra, e se elegem com votos de fora.
EXEMPLOS PARA REFLEXÃO: Quando candidatos não têm apoio em sua terra, e se elegem com votos de fora.
Por Administrador
Publicado em 18/02/2026 07:40
POLITICA
EXEMPLOS PARA REFLEXÃO: Quando candidatos não têm apoio em sua terra, e se elegem com votos de fora.

Um mecanismo que cria feudos eleitorais, o cidadão deixa de considerar critérios sobre o perfil republicano do candidato e vota iludido por benefício que o candidato se diz "pai da criança".

O sistema proporcional brasileiro permite que políticos “reprovados” em suas cidades de origem conquistem mandatos graças ao voto pulverizado em pequenos municípios do interior. Emendas e verbas públicas são apresentadas como se fossem conquistas pessoais, criando redutos eleitorais longe do berço político.

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Dois casos emblemáticos do Paraná ilustram essa dinâmica: o do finado deputado José Janene (PP) e o da deputada Luísa Canziani (PSD), que seguiu os passos do pai, Alex Canziani.

O poder de Londrina que veio de fora

José Mohamed Janene, pivô do escândalo do mensalão e posteriormente envolvido no Petrolão, construiu sua carreira política em Londrina, mas sua força eleitoral nunca esteve na cidade. Em 1998, quando o movimento "Pés Vermelhos, Mãos Limpas" fervilhava em Londrina contra a corrupção na gestão Belinati (da qual Janene era aliado), o deputado do PPB obteve 44.538 votos no estado, mas já demonstrava seu perfil interiorano.

Em 2002, Janene atingiu seu auge: foi o quinto deputado federal mais votado do Paraná, com 119.501 votos. Em Londrina, no entanto, seu desempenho era pífio em comparação com a votação total, contrastando com figuras locais que dependiam do voto urbano. Seu reduto estava nas pequenas cidades do interior, onde a máquina política e a distribuição de recursos falavam mais alto que as denúncias de corrupção que o cercavam.

Janene faleceu em 2010, mas seu nome permanece ligado aos maiores escândalos de corrupção do país, sendo um dos principais operadores do chamado "quadrilhão" do PP no Congresso.

A força que nunca teve em casa

Vereador de Londrina (PR) por dois mandatos e vice-prefeito de Antonio Belinati (1996), a carreira de Alex Canziani da Silveira como deputado federal foi construída longe do berço político. Na disputa à Câmara dos Deputados, eis seu desempenho em 1998 (com 74.875 votos), em 2002 (76.195), 2006 (111.472) e em 2010 (149.693 votos).

Apesar dos sucessivos mandatos, sua força em Londrina sempre foi limitada. Em 2004, tentou a prefeitura de Londrina e amargou um humilhante 1,90% dos votos válidos (5.081 votos), ficando em sexto lugar .

Em 2018, tentou uma vaga ao Senado. Obteve 1.304.719 votos (12,87%), mas ficou em quarto lugar, atrás de Oriovisto Guimarães (eleito) e Requião. Novamente, Londrina não o abraçou, e o grotão do estado garantiu a votação expressiva.

Em 2012 e em disputas municipais, Alex Canziani nunca conseguiu demonstrar a mesma capilaridade que tinha no interior, revelando a desconexão entre sua base de apoio parlamentar e a rejeição local.

A herdeira política e o voto do interior

Seguindo a trilha do pai, Luísa Canziani (PSD) foi eleita deputada federal em 2022 com 74.643 votos. Em Londrina, seu desempenho foi fraco: obteve apenas 12.709 votos, ficando atrás de nomes como Filipe Barros (62.920 votos) e Jessicão (15.108).

Para se ter uma ideia da força local de outros políticos, a votação de Luísa em Londrina foi inferior até mesmo à de seu pai, Alex Canziani, que obteve 9.227 votos na cidade no mesmo pleito, mesmo sem se eleger. Na disputa proporcional de 2022, Luísa ficou atrás, em Londrina, de nomes como Cloara Pinheiro (26.363 votos), Jairo Tamura (17.984) e Tiago Amaral (14.295).

A vitória de Luísa veio graças aos pequenos municípios, onde o nome da família Canziani está associado a emendas e recursos. O curioso é que, em 2018, Luísa havia obtido 90.249 votos para deputada estadual, com apenas 1,57% dos votos, já indicando que sua força não viria dos grandes centros.

Sistema que permite a desconexão

O caso dos Canziani e de Janene ilustra uma característica do sistema proporcional brasileiro (voto em lista aberta): o político não precisa ter apoio onde vive. Basta ter "votos de esmola" — como críticos apontam —, ou seja, votos conquistados por meio da intermediação de recursos de programas já existentes do governo estadual, por exemplo.

Cada deputado se apropria de verbas públicas dizendo serem suas (emendas parlamentares) e as direciona para prefeituras do interior, apresentando-se como o "padrinho" - "pai da criança", obra ou do recurso. Esse mecanismo cria feudos eleitorais independentes da avaliação do eleitorado que conhece de perto sua atuação.

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