O Banco Master volta ao centro do escândalo financeiro após a prisão de Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, nesta terça (3), investigado por aplicar quase R$ 1 bilhão em títulos do banco que acabou liquidado pelo Banco Central. A Polícia Federal aponta suspeitas de obstrução e ocultação de provas na segunda fase da Operação Barco de Papel, enquanto o caso se espalha por Brasília, Câmara e STF, com risco de virar disputa eleitoral em 2026.
Operação da PF expõe a trilha do dinheiro público
Antunes deixou o comando do Rioprevidência em 23 de janeiro de 2026, após exoneração determinada pelo governador Cláudio Castro (PL), e foi preso hoje ao voltar de viagem ao exterior, segundo a Polícia Federal.
O ponto sensível é que o fundo previdenciário, responsável por pagar aposentadorias e pensões do funcionalismo do Rio, teria feito nove aplicações entre 2023 e 2024 em letras financeiras do Banco Master, títulos de risco elevado e sem a proteção do FGC, o que coloca a governança do fundo no foco do inquérito.
Do “banco privado” ao efeito dominó em bancos públicos
A liquidação do Banco Master, decretada em 18 de novembro de 2025, veio na esteira de investigação federal sobre fraudes e ativos suspeitos, e virou um estopim de contaminação institucional.
Em Brasília, o BRB entrou na linha de tiro porque comprou carteiras de crédito que passaram a ser tratadas como fraudulentas nas investigações, e agora enfrenta pressão regulatória para provisionar perdas bilionárias. A própria estimativa de risco oscilou de R$ 2,6 bilhões para valores maiores em depoimentos e reportagens, sinal de que ainda há peça faltando nesse quebra-cabeça.
A abertura de inquérito para apurar possível gestão fraudulenta no BRB foi comunicada ao ministro Dias Toffoli, o que empurra o caso para o coração do sistema político-judicial.
Vorcaro, Banco Central e a guerra de narrativas
O controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi preso no contexto da Operação Compliance Zero e depois obteve liberdade com tornozeleira, segundo relatos publicados à época.
No Planalto, o caso pressiona o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a equilibrar duas exigências que se chocam: blindar a estabilidade do sistema e não parecer conivente com banqueiros e operadores. Essa disputa também chega à arena do Congresso, com CPI do caso ganhando corpo e adesões públicas.
Bastidores: o que a prisão muda no cenário
A prisão do ex-presidente do Rioprevidência muda o eixo do noticiário porque desloca o escândalo do “mercado” para o dinheiro carimbado do Estado: aposentadorias, pensões e fundos previdenciários.
Também acende um alerta político. Quando a investigação encosta em banco público, fundo previdenciário e instâncias superiores, cresce a tentação de transformar responsabilização em briga de facções, cada lado tentando escolher seu bode expiatório.
E é aqui que mora o risco democrático: a impunidade seletiva, que historicamente protege os de cima e terceiriza prejuízos para a sociedade, exatamente o padrão que o Blog do Esmael vem denunciando no caso.
O que cobrar daqui para a frente
O país precisa de três respostas objetivas.
Quem autorizou as aplicações do fundo e com quais pareceres.
Quem vendeu, intermediou e lucrou com os papéis, e em que condições.
E onde estavam os freios de fiscalização quando o risco ainda era evitável, antes de a bomba estourar.
Quando a engrenagem só funciona depois do dano, o “acidente” vira método.
No fim, o caso não é sobre um banco apenas. É sobre como o poder econômico se acostumou a operar com tolerância institucional, enquanto o custo social vai para quem trabalha e depende do Estado.
Encampação do Banco Central
No caso do Banco Central, responsável pela fiscalização, é uma entidade “autônoma” desde o governo Jair Bolsonaro (PL), em 2021. Portanto, se houve incapacidade da autoridade monetária “independente”, é fundamental o poder público discutir a encampação do BC.
Continue acompanhando os bastidores da política.