Quando se diz que o Brasil está quebrado, quase sempre a culpa cai só no governo. Mas uma parte grande desse rombo vem de dinheiro que deveria entrar e não entra. Impostos e contribuições que não são pagos por grandes devedores acabam virando dívida, se acumulam por anos e fazem falta nos serviços básicos.
Dentre essas dívidas, aparecem valores gigantescos ligados a indústrias e grandes empresas. A Petrobras, por exemplo, já figurou como a maior devedora individual do país, com valores que passaram de R$ 40 bilhões em determinados períodos (CNPJ 33.000.167/0001-01). A Refinaria de Petróleos de Manguinhos, empresa privada, aparece com cerca de R$ 8,7 bilhões (CNPJ 33.412.081/0001-96). Empresas de telecomunicações como Telefônica/Vivo, com cerca de R$ 3,8 bilhões (CNPJ 02.558.157/0001-62), e a TIM, com aproximadamente R$ 4 bilhões (CNPJ 02.421.421/0001-11), também entram nessa conta.
Além das indústrias e grandes empresas, entidades religiosas também aparecem com dívidas registradas. Aqui entram organizações que funcionam com estrutura empresarial, funcionários, mídia, fundações e vários CNPJs. Não são todas as igrejas, e nem dá para listar todas, mas alguns casos ajudam a entender o tamanho do problema.
O Instituto Geral de Assistência Social Evangélica (IGASE) aparece com mais de R$ 500 milhões em dívidas (CNPJs 33.810.946/0101-35 e 33.810.946/0102-16). A Igreja Internacional da Graça de Deus surge com cerca de R$ 127 milhões (CNPJ 30.902.803/0001-00). A Igreja Mundial do Poder de Deus aparece com aproximadamente R$ 91 milhões (CNPJ 02.415.583/0001-47). A Associação das Famílias para Unificação e Paz Mundial Brasil soma cerca de R$ 99 milhões (CNPJ 44.780.326/0001-02).
Entre entidades católicas, a Sociedade Vicente Pallotti aparece com mais de R$ 61 milhões inscritos.
Não dá para colocar tudo num único post. São milhares de CNPJs entre empresas e entidades religiosas. Mas esses exemplos já mostram que o problema não é pequeno nem isolado. Quando grandes devedores deixam de pagar, o dinheiro não desaparece. Ele só deixa de entrar.
Vale observar a diferença de postura. Empresas como TIM e Vivo acumulam bilhões em dívidas com a União e discutem esses valores por anos. Já o cliente que atrasa uma fatura nessas mesmas empresas enfrenta cobrança rápida, juros, aumento da dívida e o nome negativado no SPC e Serasa. O rigor não é o mesmo.
