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Vídeos de drones despertam interesse de turistas por favelas do Rio
Projeto Na Favela Drone incrementa turismo nas comunidades
Agência Brasil - Por Alana Gandra
Publicado em 29/01/2026 17:58
GERAL
© Divulgação/Na Favela Drone

O interesse de turistas em conhecer a cidade do Rio de Janeiro além dos cartões-postais tradicionais, como o Corcovado e o Pão de Açúcar, tem contribuído para o incremento de ações nas favelas cariocas. Visitantes nacionais e estrangeiros querem conhecer de perto o dia a dia das comunidades, bem como suas crescentes atrações.

É o caso do projeto Na Favela Drone, integrante da iniciativa Na Favela Turismo, criada em 2018 por Renan Monteiro, na Rocinha. Lajes e mirantes da Rocinha, Vidigal e Pavão-Pavãozinho/Cantagalo (PPG) são transformados em pontos turísticos com voos de drone feitos por moradores locais. Eles participam de cursos  que os preparam para o primeiro emprego.

O projeto lançado qualifica moradores das comunidades para atuarem como pilotos de drones que acabam gerando uma cadeia econômica produtiva que beneficia guias turísticos, mototaxistas, bem como os anfitriões das lajes.

No início, foram dadas aulas de pilotagem próximo ao Mirante Rocinha, primeiro negócio de Na Favela Turismo. Mas a adesão foi rápida. Hoje, são 10 pilotos formados, que recebem visitantes para os voos, além de outros profissionais integrados ao projeto. Um dos primeiros vídeos foi produzido por Betour, guia e morador da Rocinha, e despertou interesse entre turistas, ajudando a consolidar o produto, que se transformou em um dos conteúdos mais procurados por visitantes estrangeiros nesta temporada.

Oportunidade

Rogério Nascimento Feitosa foi um dos primeiros pilotos formados e, atualmente, coordena a equipe de pilotos dos drones. Ele vê o projeto como uma “imensa oportunidade de ajuda tanto para a comunidade em si, como para o turismo. Ajuda a movimentar o mercado local e o exterior também”.

No momento, ele está recrutando jovens entre 17 e 18 anos, moradores das comunidades que fazem parte do projeto, para uma nova turma de pilotos de drones, cujas aulas deverão começar  entre os dias 3 e 5 de fevereiro próximo. O curso já prepara os jovens para o mercado de trabalho.

Além de morar nas comunidades, os candidatos devem provar que estão estudando e com boas notas. “Não adianta só falar que está na escola. A galera aqui da comunidade já fica empregada e, inclusive, ganha bem”.

Segundo Feitosa, os jovens ficam animados com a experiência, porque “o drone é como se fosse um videogame, só que da vida real. Eu sempre digo isso para eles. Sem falar que o salário em si é bem atraente. Alguns que já aprenderam mesmo a trabalhar com a gente ganham até mais do que os pais”.

Em média, são entre 30 a 50 pessoas querendo uma vaga. Cada turma forma dez pilotos. Os restantes disputam outra seleção, para vagas de edição. “Porque a nossa equipe (do projeto) não tem só os pilotos. Tem outra galera que faz as edições.”

Retomada

”O Mirante foi o pontapé inicial do Na Favela Turismo para retomar o turismo na Rocinha e Vidigal, após um caso que afastou os visitantes”, disse Renan Monteiro à Agência Brasil. Em outubro de 2017, a turista espanhola Maria Esperanza Jiménez Ruiz morreu na Rocinha, baleada por policiais militares, em confronto com bandidos. O fato levou as agências de turismo a suspender temporariamente as excursões àquela comunidade.

“Mas graças a Deus já se passaram oito anos e o turismo só cresce. E de uma forma que nunca houve antes. Porque agora, mais do que nunca, o morador está inserido. A gente já tem várias empresas de turismo da comunidade, novos negócios estão surgindo aqui dentro. E o nosso papel é sair do mirante e espalhar o turismo para a favela inteira”.

 A partir da divulgação dos vídeos dos drones, mais turistas demonstram interesse para visitar as comunidades e fazer vídeos de drone. “E a gente aproveita essa visita para que ele conheça também a comunidade por inteiro e saia daqui com uma perspectiva legal da favela”.

 “O turista faz uma pose, os pilotos fazem o voo com o turista na laje e ele aparece no vídeo”. Monteiro explicou que “o grande lance do vídeo, que viralizou recentemente e está rodando, pelo menos, para a América Latina inteira, é porque a gente consegue mostrar a dimensão da favela. Conforme o drone vai se afastando do turista que está no vídeo, a consegue ver a imensidão da Rocinha. Acho que é isso que mais impressiona.”

 A ideia sempre foi qualificar os moradores das comunidades, visando que a favela e seus valores sejam apresentados por quem vive nas regiões. “O resultado vai além de um vídeo bonito: é emprego, cena cultural valorizada e narrativa positiva que chega ao mundo mostrando o verdadeiro valor da Rocinha, do Vidigal e PPG”, disse Renan Monteiro.

Alta temporada

De acordo com Monteiro, o interesse turístico pela atividade dos drones é crescente justamente na alta temporada de verão 2026, que se estende de dezembro de 2025 a março deste ano e projeta recordes históricos para o turismo na capital fluminense.

A expectativa é que o Rio de Janeiro receba no período mais de 5,7 milhões de visitantes, aumento superior a 14% em relação ao verão anterior, impulsionados pela ampliação da malha aérea internacional e pelo otimismo do setor.

Do total, cerca de 1,2 milhão são turistas estrangeiros, com alta de 12%. O incremento de visitantes deverá movimentar cerca de R$ 12,8 bilhões na economia carioca, mostrando expansão de 18% sobre o verão de 2025. (Alana Gandra)

Fonte: Agência Brasil
Esta notícia foi publicada respeitando as políticas de reprodução da Agência Brasil.
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