Secretário das Cidades do Paraná e filiado ao PSD, Guto Silva vive um momento de isolamento político após denúncias divulgadas em áudios pelo Diário de Maringá. Até pouco tempo cotado como possível indicado do governador Ratinho Junior para disputar o governo estadual, ele passou a ser visto como figura contaminada. Deputados estaduais federais e prefeitos que antes apareciam em fotos e vídeos ao seu lado agora evitam qualquer associação em ano eleitoral.
Os áudios revelam a existência de um sistema informal de poder dentro do governo do Paraná e da Companhia de Saneamento do Paraná Sanepar. As gravações sugerem hierarquia paralela esvaziamento de cargos oficiais suspeita de rachadinha e uso político da máquina pública. Em um dos trechos o interlocutor afirma que nem o presidente da estatal Cláudio Stabile teria autoridade efetiva e cita também a diretora Priscila como alvo de desautorização. Outro ponto grave é a declaração atribuída ao assessor Jaime Antônio de Camargo Ferreira que afirma que seu chefe não seria o governador, mas sim Guto Silva.
As falas aparecem em meio a pedidos de favores políticos liberações administrativas e encaminhamentos classificados como coisa errada. O relato indica que decisões sensíveis do Estado dependeriam de autorização direta do secretário. Há ainda menção a problemas envolvendo documentos assinados por Wellington Bedeu, ex gestor da Sanepar multado pelo Tribunal de Contas do Paraná por contratos irregulares, o que reforça suspeitas de manipulação posterior de atos administrativos.
Os áudios apontam para um núcleo de poder capaz de se sobrepor a presidentes de estatais diretores e gestores técnicos criando um ambiente de intimidação política. Também revelam tentativas de viabilizar contratos com prefeituras em áreas de informática e mídia sem critérios técnicos ou jurídicos, mas com base em acordos políticos. A frase "se autorizar, eu ligo" expõe lógica de tráfico de influência e favorecimento.
O conteúdo sugere repetição de práticas já investigadas pela Operação Ductos que entre 2014 e 2018 apurou corrupção em contratos da Sanepar, resultando em prisões afastamentos e multas. A narrativa indica que a lógica de decisões fora dos canais formais não foi eliminada apenas adaptada mantendo interferência política e blindagem de aliados.
O caso gera crise institucional e pressiona o governador Ratinho Junior que pode lançar candidatura nacional em abril. A ligação de seu governo a denúncias desse porte ameaça desgastar os sete anos de mandato marcados por investimentos em todo o Paraná, bem verdade com dinheiro da venda de patrimônio estatal como: Copel, Porto de Paranaguá entre outros patrimônios públicos.
