Júnior Abreu (PP) torna-se o 29º mandatário catarinense a cair nas mãos da polícia em cinco anos; esquema de licitações fraudulentas revela que a "moralidade" era apenas fachada para bonecos de plástico.
O prefeito de Garopaba, Júnior Abreu (PP), entusiasta ferrenho do bolsonarismo, foi preso preventivamente nesta quinta-feira (8) durante a 2ª fase da Operação Coleta Seletiva.
A investigação aponta um esquema de corrupção ativa e passiva, fraudes licitatórias e desvios em contratos de coleta de lixo que perduram desde 2016, movimentando milhões de reais.
Santa Catarina atinge a marca estarrecedora de 29 prefeitos presos desde 2021, evidenciando uma metástase administrativa em um estado que frequentemente se autoproclama bastião da eficiência e da ética.
O cheiro que exala de Garopaba não é o das famosas praias catarinenses, mas o do chorume da corrupção institucionalizada. Júnior Abreu, o prefeito que não se envergonhava de posar ao lado de bonecos de Jair Bolsonaro, parece ter levado a sério demais a estética do populismo de direita: retórica moralista no palanque e as mãos no erário nos bastidores. O paralelo com o “O Alienista”, de Machado de Assis, é inevitável, mas com um toque de tragédia nacional — no hospício de Simão Bacamarte, a loucura era o critério; em Santa Catarina, o critério para o cárcere tem sido a gestão do lixo e das licitações. Com 29 prefeitos presos em um lustro, o estado parece ter transformado o Executivo municipal em uma antessala para o sistema prisional, provando que a corrupção não tem ideologia, embora adore se fantasiar de verde e amarelo para ludibriar o eleitorado.
A “limpeza urbana” em Santa Catarina finalmente chegou aos gabinetes. É irônico que aqueles que prometiam varrer a corrupção do país terminem varridos por operações policiais focadas, justamente, nos contratos de coleta de lixo.
Como operava o esquema liderado pelo prefeito bolsonarista Júnior Abreu?
As investigações da Polícia Civil revelam que o esquema era suprapartidário e atemporal, sobrevivendo a mudanças de gestão desde 2016. Através da manipulação de editais e favorecimento de empresas do setor de reciclagem, agentes políticos e empresários loteavam o dinheiro público. Em Garopaba, a “Coleta Seletiva” da polícia não apenas prendeu o prefeito, mas também afastou secretários e sequestrou cerca de R$ 1 milhão em bens. Trata-se da privatização do lucro público através de contratos estratégicos que, por moverem cifras vultosas e serem essenciais, tornam-se o alvo preferencial das máfias de colarinho branco travestidas de gestores eficientes.
O que a marca de 29 prefeitos presos revela sobre o cenário político de Santa Catarina?
Revela uma falência moral sistêmica que ignora o rótulo de “estado modelo”. A lista de detidos atravessa o espectro partidário — MDB, PP, PL e PSD lideram o ranking da desonestidade.
O fato de seis desses presos terem disputado as eleições de 2024, com três deles sendo reeleitos mesmo sob investigação ou após prisões, é um sintoma grave de desensibilização democrática.
O Diário Carioca reafirma: o combate ao retrocesso passa pela higienização ética das prefeituras. Quando o eleitor premia o suspeito, a justiça torna-se o único freio contra a pilhagem do bem comum.
O “modelo catarinense” precisa, urgentemente, de uma auditoria de valores antes que o lixo da corrupção soterre o que resta de sua credibilidade institucional.
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