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Rússia envia navio para escoltar petroleiro caçado pelos EUA
Rússia envia navio para escoltar petroleiro caçado pelos EUA
Por Administrador
Publicado em 07/01/2026 08:47
INTERNACIONAL
Rússia envia navio para escoltar petroleiro caçado pelos EUA

A Rússia elevou a tensão geopolítica ao enviar um navio militar para escoltar um petroleiro que vinha sendo perseguido pela Guarda Costeira dos Estados Unidos, num dos episódios mais delicados do confronto entre Washington e Moscou desde o ataque americano à Venezuela.

O alvo é o navio antes chamado Bella 1, agora rebatizado de Marinera, acusado pelos EUA de integrar a chamada “frota sombra” que transporta petróleo de países sob sanções, como Rússia, Irã e Venezuela.

Segundo autoridades americanas, a escolta russa foi acionada depois que o petroleiro se recusou a ser abordado no Caribe e fugiu para o Atlântico, numa operação que envolve diretamente forças navais das duas potências.

Escolta militar no Atlântico Norte

Dados de rastreamento indicam que o Marinera navega entre a Islândia e o Reino Unido, com possível destino ao porto de Murmansk, no Ártico russo, um ponto estratégico livre de gelo durante todo o ano.

Após a tentativa frustrada de apreensão pelos EUA, a tripulação adotou uma série de manobras típicas da guerra híbrida no mar.

Pintou a bandeira russa no casco, mudou o nome da embarcação e registrou o navio oficialmente em cadastros marítimos da Rússia.

Moscou ainda apresentou protesto diplomático formal exigindo que Washington interrompesse a perseguição, agora reforçada com presença naval.

Sanções, Venezuela e o novo tabuleiro

O caso do petroleiro ocorre em meio à escalada do conflito entre os EUA e a Venezuela, após a operação militar que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, levados a Nova York sob acusações de narcotráfico.

Desde então, o presidente Donald Trump intensificou o bloqueio a navios ligados ao comércio de petróleo venezuelano, iraniano e russo, transformando rotas marítimas em zonas de tensão permanente.

Relatórios indicam que pelo menos cinco petroleiros que operavam recentemente na Venezuela trocaram suas bandeiras para a Rússia, numa tentativa de escapar das sanções americanas.

A estratégia, porém, vem sendo tratada por Washington como provocação direta, e por Moscou como exercício legítimo de soberania naval.

Pressão dos EUA sobre Caracas

No mesmo contexto, autoridades americanas passaram a exigir que o governo interino da Venezuela rompa relações econômicas com Rússia, China, Irã e Cuba como شرط para aliviar restrições e ampliar a produção de petróleo.

Segundo informações divulgadas por redes internacionais, Washington quer transformar a crise venezuelana em uma reconfiguração geopolítica no continente.

A Rússia, por sua vez, vê no cerco aos petroleiros uma tentativa de sufocar aliados e redesenhar a correlação de forças no Atlântico.

O risco de um incidente maior

A escolta militar russa a um navio perseguido pelos EUA não é apenas um gesto simbólico.

Ela abre a possibilidade real de confronto naval entre potências nucleares, num momento em que a guerra híbrida se desloca dos campos de batalha tradicionais para rotas comerciais e corredores marítimos.

O episódio do Marinera mostra que a disputa por petróleo, sanções e influência na América Latina já ultrapassou a diplomacia.

Agora navega escoltada por destróieres e comunicados de guerra fria.

A crise do petroleiro escoltado pela Rússia revela que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela e seus aliados abriu uma nova frente de instabilidade global. Quando sanções viram bloqueios navais e diplomacia vira escolta armada, o mundo entra num território perigoso, em que qualquer erro de cálculo pode virar confronto direto. É o preço alto de uma geopolítica que prefere força à negociação.

EUA apreendem terceiro petroleiro da Venezuela no Caribe. Foto: reprodução/rrss

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